Rio de Janeiro, Brasil
Dimensionamento da cobertura fluida e passarela de ligação entre dois edificios existentes que foram reabilitados para albergar o Museu de Arte do Rio de Janeiro. Projecto realizado em colaboração com o escritório de arquitectura carioca Bernardes e Jacobson. A cobertura fluida do Museu de Arte do Rio surgiu da necessidade de unir visualmente dois edifícios com características arquitetônicas e de épocas diferentes, sendo um deles modernista e o outro um palacete.
Essa união simbólica teve a intenção de transformar os dois edifícios independentes em um único complexo cultural.
A função da cobertura é a de proteger, tanto o acesso ao museu pelo pavimento térreo, quanto a praça suspensa criada no topo do edifício modernista, de onde se inicia o percurso de visita ao museu e que constitui também um espaço de contemplação à paisagem da cidade do Rio de Janeiro.
A estrutura da cobertura em betão aparente armado, atravessa os dois edifícios, forma beirais em consola de 6 metros, possui 65 metros de extensão por 25 metros de largura, apresenta uma espessura genérica de 15 centímetros de espessura e é sustentada por pilares em aço de 16 centímetros de diâmetro.
O escoamento de água é feito pelos pontos de ondulação mais baixos da laje, através dos pilares.
A cofragem para a execução desta grande laje foi feita com base num desenho topográfico com curvas de nível, plotado em tamanho real e aberto num pavilhao de uma escola de samba. Através dos desenhos em planta baixa e em corte desta cobertura, foram produzidos blocos em poliestireno expandido, posteriormente revestidos com resina e fibra de vidro.
Esses blocos foram apoiados na cobertura dos dois edifícios através de andaimes e, novamente revestidos no local a fim de selar as emendas.
A armadura é de aço galvanizado e o betão foi alvo de estudo particular de composição, de cura bastante rápida e de modo a ter a fluidez controlada.
A betonagem foi feita num período de 13 horas ininterruptas por uma equipa de 20 pessoas.
O desenho e a execução da cobertura só foi possível graças a programas avançados de computador, pois o desenho partiu de uma animação 3d de uma superfície líquida, que teve de ser ajustada para permitir o escoamento das aguas para os ralos que se pretendiam inseridos nos pilares e ainda modelar zonas mais espessas da laje onde necessário para garantir a resistencia ao corte.


